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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um pouco de Torga



Como hei-de saber o que desejo,
Se tudo o que não tenho me apetece?
A minha vida é mesmo essa quermesse
Negativa.
Vivo
A sonhar ser conviva
Doutro banquete.

Miguel Torga




Uma espécie de Haiku*

Da janela da sala
Vejo o Mar
Quando fecho os olhos





* Haikai (Haiku ou Haicai) é uma forma poética de origem japonesa, 
que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, 
contendo na primeira e na última cinco caracteres japoneses 
(totalizando sempre cinco sílabas), e sete caracteres na segunda linha (sete sílabas). 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Aves de Lisboa III - Garça Real

Ontem mais um passeio ao Parque Aventura na Amadora para rever o Goraz (Garça Noturna) que não revi. Mas fiquei surpreendido quando, em vez dele, encontrei uma enorme Garça Real.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sem história

             Para a Lurdes que devido a doença não me reconheceu ontem




somos os mortos,
histórias irrepetíveis,
nós caprichosos que se atam
e  desatam,
fios de lã
que se afastam para sempre    do novelo
bailando sozinhos
pelo céu adentro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Aves de Lisboa (II) - Goraz ou Garça Noturna

Ontem, enquanto fazia o meu passeio noturno e digestivo pelas ruas da Amadora, enveredei pelo Parque Aventura, que envolve a recuperada Ribeira da Falagueira. Qual é o meu espanto, quando percebi que uma pequena garça cinzenta , rara em Portugal (150 a 200 casais), denominada Goraz (Nycticorax nycticorax) se alimentava a juzante da ribeira, já perto da Rotunda com o monumento aos bombeiros. Quando cheguei a casa, verifiquei o guia e era mesmo um Goraz. É uma ave migratória (Estival) com gostos noturnos. É mais comum no Paul de Boquilobo(Ribatejo) e há também alguns espécimes no Jardim Zoológico.




Imagens retiradas do site: http://avesdelisboa.blogspot.pt/2010/02/goraz-ou-garca-noturna-no-jardim.html


Parque Aventura - Ribeira da Falagueira

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A ciência e as descobertas na Fundação

Marquem na vossa agenda: O contributo ibérico à ciência na época das Descobertas na Fundação Gulbenkian - "360º - Ciência Descoberta", a partir de 2 de março. O atual processo de globalização não foi o primeiro desta natureza. No século XV/XVI, Portugueses e Espanhóis também criaram uma rede de dimensão planetária.




360º Ciência Descoberta

Comissário: Henrique Leitão

De 2 mar a 2 jun 2013  |  10:00 - 18:00  |  Encerra às segundas

Edifício Sede


O mentor e o crente



O filme "O mentor" mantém-se-me  no pensamento durante vários dias. A força do argumento, das personagens e da interpretação de Joaquin Phoenix e de Philip Seymour Hoffman deixam-me "algumas pontas por atar" com outras problemáticas profundamente humanas. Uma delas, aquela que me mais interessa, é a Fé. Muitos dos filmes que mais me marcaram abordam este mistério da confiança humana (a fé): "A palavra " do Carl Dreyer, "As ondas de paixão" do Lars Von Trier e "A vida continua" do Abbas Kariostami.


O que mais impressionou na personagem de Freddie Quell é a sua capacidade em acreditar. Relevante também, por anteposição, é  a forma como o cinema norte-americano trata aqueles que acreditam de forma absoluta em fenómenos fora dos seus cânones.  O portador da fé é representado como um psicótico, alcoólico, sem rumo ou profissão fixa - enfim um renegado social. Na realidade, no espartilho lógico e linear de uma sociedade profundamente marcada pelas relações diretas de causa-efeito, acreditar sem razão parece aberrante, mas não o é. A fé é uma qualidade profundamente humana e ajuda-nos a seguir ou a prosseguir. Porque  ela traz-nos sempre força redobrada para continuar e ultrapassar os obstáculos.  Quando se acredita no mais profundo (ainda que misterioso) e se desvaloriza o superficial, a fé acontece. E creio que foi isso que aconteceu à personagem Freddie. Freddie ignorou o cepticismo dos outros membros da seita, o misticismo barato dos rituais e algumas conclusões mais absurdas em redor das teorias do Mentor. Porém, aquele "Mentor" acreditou nele, foi o pai calmo e tolerante que ele nunca tinha tido. A relação que se foi  estabelecendo entre eles, ao longo do filme, ganhou uma dimensão sagrada e, quando assim é , o homem cresce e ultrapassa-se, porque o crente ganha confiança para se afirmar.



A ciência  interessa-se apenas por matérias que pode comprovar. A fé não é um fenómeno comprovável pelo seu modelo. Ela está  no âmbito da religiosidade e essa está em crise no Ocidente ou foi trasladada para uma dimensão "Disney", ou seja, infantil e desadequada da maturidade da dimensão histórica europeia.



Nota: É  tempo de renovar a fé e trazer a confiança ao seio das comunidades. É tempo de um catolicismo que  faça acreditar os mais simples primeiro e apenas os doutores depois.  Mas que, no entanto, não seja simples demais - que não se tente auto-explicar -  porque a fé não se explica.



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Intimíssimo

Poesia ilustrada ou não ?

O Facebook colocou-me um dilema sempre que escrevo poesia e pretendo publicá-la nas redes sociais. Devo publicá-la com uma ilustração ?
A imagem que se junta às palavras, enriquece ou não o sentido das mesmas ?
Ainda não tenho uma resposta definitiva, porque ambas as perspetivas têm os seus riscos e oportunidades.

Publicar em versão bi-linguagem talvez seja o mais sensato. Aqui fica o poema de ontem:



Escuta o clássico som da paz
até ao próximo relampejar do destino

Não te impacientes.
Ele, mais cedo ou mais tarde,
chegará.


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