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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Robinson Crusoé" - Afinal tu não precisas de ninguém !


Na minha  santa infância, este clássico da literatura era, para mim, uma inocente história de um naufrago numa ilha sem vida humana que conheceu um dia um selvagem a quem chamou "Sexta-Feira".

Agora que ando a lê-lo e, com a ajuda do meu filho, a estudá-lo, percebo que é uma obra iniciática e uma espécie de bíblia do pensamento individualista, protestante e da colonialização inglesa.

Não creio que o seu autor, Daniel Defoe, se tenha preocupado em escrever uma obra filosófica. Ele quis escrever um best-seller de aventuras e por isso deixou-nos, de uma forma genuína, uma corrente de pensamento em estado bruto. Leiam. É revigorante (em tempos de crise) imaginarmos, que mesmo numa ilha, um homem, não só consegue sobreviver, mas ainda prosperar em todas as suas vertentes: material, intelectual e religiosa.

PS. Foi publicado 1719. Por isso, recomendo a versão de bolso para quem não tem muito tempo e deseja apenas ler o essencial.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Álvaro de Campos no Debate do Orçamento de 2012



Ao ouvir o debate da Assembleia da Republica (AR) sobre o orçamento de estado para 2012, pareceu-me estar a ouvir uma ópera bufa, onde cada qual dos actores (representantes do povo) tinha um papel estudado e ensaiado, num grande ensaio geral numa antecâmara da AR.

Lembrei-me, então, de um poema do Álvaro de Campos:

"(...)
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.

Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.

Merda! Sou lúcido.
(...)"

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O elogio da loucura:"Mad men"





Mad Men é uma série televisiva norte-americana de qualidade arrebatadora. Um género de ficção possível, mas impossível para o comum dos mortais. Há na  indole de Don Draper (Jon Hamm), o protagonista da série,  uma loucura saudável que nos faz inveja. Imaginamos que uma atitude  nossa  seria suficiente para inverter a nossa inerte realidade pessoal. Don surpreende-nos ao inventar e realizar esses  actos inesperados (mas humanos e geniais). E nós surpreenderíamos  Don (ou talvez não), se ele fosse real e nos olhasse de cima como um deus, por razões exactamente inversas.

Como escreveu Jean-Paul Sartre : “Estamos condenados à liberdade. “. Porém o livre arbítrio atrapalha-nos e ficamos com medo de existir. Don Draper ultrapassa este obstáculo ainda que seja apenas num guião, numa mitologia moderna - que ao contrário das tragédias gregas até acaba bem e tem várias temporadas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Belo + Belo = Ruy


"Homem de Palavras(s)" é o mote para o colóquio internacional sobre Ruy Belo que a Fundação Calouste Gulbenkian promove nos próximos dias 3 e 4 de Novembro, em homenagem a um dos poetas centrais da segunda metade do século XX.

Ruy Belo é para mim um caso extremo de empatia. Parte do quotidiano para o sagrado, elegendo a memória como espaço privilegiado da sua inspiração.
Habita um espaço urbano, periférico às vezes, e dai eu goste tanto do poeta do Monte Abraão (Queluz).


Ruy Belo começou por ser bendito (devido sua ligação ao Catolicismo) e acabou por ser maldito, o que implicou mesmo ser excluído do sistema das "capelinhas" do poder e da literatura.


Bem haja o poeta das "Oh as casas as casas as casas" que deixo aqui um extracto:


"(...)Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade (...)"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

República em calções

5 de Outubro. Dia de revolução. Dia  de mudança. E não há maneira melhor de homenagear a mudança do que estar em Outubro na praia a usufruir do melhor dia de praia de 2011.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

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