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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

E antes que Setembro chegue ao fim, Ruy Belo


"Setembro é o teu mês, homem da tarde
anunciada em folhas como uma ameaça
Ninguém morreu ainda e tudo treme já
Ventos e chuvas rondam pelos côncavos dos céus
e brilhas como quem no próprio brilho se consome (...)"

Extracto de "Relatório e Contas" - Ruy Belo

DN Jotas na Bulhosa Livreiros



Apresentou-se ontem, na Livraria Bulhosa do Campo Grande, o livro "DN Jovem - entre o papel e a net" da jornalista (e mestre) Helena de Sousa Freitas.

Foi um marco histórico  reunir, creio que pela primeira vez, as gerações do suplemento da versão papel e da versão digital.

Foi com grande prazer que revi o Luis Filipe Silva, o Luis Graça, o Joaquim Cardoso Dias, o Álvaro Silva, o Pedro Mexia, a Adriana e o Manuel Silva. E que conheci o Sérgio Lavos e Ruben Ferreira.

Gostei da apresentação do livro efectuada pelo Pedro Mexia e pela Helena de Sousa Freitas. Porém, não posso deixar de referir a grandeza de alma do Manuel Silva que na sua intervenção reclamou a atenção para todos os outros responsáveis e quadros do DN que o ajudaram a levantar o incontornável DN Jovem.

Mexia, no seu melhor registo, focou um dado curioso: "O Estado Novo,  por razões de indole política, acabou com o suplemento juvenil do Diário de Lisboa. A Democracia acabou com o DN Jovem por razões comerciais".

Estaria lançada a polémica se houvesse quem a quisesse debater. Mas acho que também não é uma discussão rentável.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Uma tertúlia

Dez - Poesia reunida de 10 autores do DN Jovem
 (1995)




O Luís Filipe Silva falou-me, através do novo arauto do reino - o Facebook - do lançamento do livro "DN Jovem - entre o papel e a net" de Helena de Sousa Freitas. Disse-me que já tinha o livro e que estava bom. Referenciava-nos a ambos: a ele (bastante) e a mim . Fiquei curioso.



Segunda-feira, fui à Bertrand do Campo Pequeno e, depois de passar uma vista de olhos, comprei o livro. Pareceu-me bom e completo. "Pareceu-me" porque ainda não li detalhadamente. Mesmo assim encontrei algumas referências no livro que passo a citar e que ficam para memória futura - se é que vai haver memória futura desta nova era digital - dos encontros semanais com alguns dos colegas poetas e prosadores daquela época:

"Éramos sete ou oito colaboradores colaboradores da parte da escrita. Estou-me a lembrar: era eu (José Mário Silva), o Pedro Mexia, o Alexandre Andrade, o Luis Palma Gomes, a Margarida Vale de Gato, a Diana Almeida, o meu irmão, Manuel Deniz Silva. Portanto, era um grupo. Nós reuniamo-nos e era um complemento da experiência do DN Jovem. Por um lado, comentávamos o suplemento, aquilo que achávamos, de que tínhamos gostado mais e menos, líamos textos que estávamos a pensar enviar para o suplemento - ou que eram para ficar na gaveta-, para ter a opinião dos outros, comentávamos os livros que andávamos a ler, os filmes que víamos, etc. Era um encontro puramente cultural e, muitas vezes, a seguir íamos ver um filme todos juntos. E essa tertúlia durou bastante tempo, pelo menos uns dois ou três anos, até que, depois quer a vida académica, de estudos, quer a vida profissional, começou a torná-la inviável. Mas eu fiquei amigo dessas pessoas. Com umas estou mais, com outras menos, mas acho que se criou...um movimento seria exagerado, ou sequer uma corrente, ou sequer uma capelinha, nada disso...mas criou-se um leque de afinidades electivas que eu acho que permanece ainda hoje" recapitulou José Mário Silva três anos depos opinião similar expressa na Feira do Livro.

sábado, 17 de setembro de 2011

DN Jovem “biografado” em livro


Durante mais de uma dezena de anos, as terças-feiras foram aguardadas com ansiedade por muitos jovens criadores portugueses. Escritores, fotógrafos, ilustradores e cartoonistas em início de jornada contavam as horas para verificar se os trabalhos enviados para o DN Jovem haviam sido seleccionados. Helena de Sousa Freitas, Ex-Directora Adjunta do Diário de Notícias, escreve sobre aquele que foi, seguramente, o mais memorável suplemento de colaboração juvenil na imprensa do Portugal democrático. O livro chama-se “DN Jovem - Entre o Papel e a Net – História e Memórias de uma Transição”, é publicado pela Esfera do Caos e o lançamento é dia 28 de Setembro, às 18h 30m, apresentado por Pedro Mexia, na livraria Bulhosa Books & Living Entrecampos.


Post copiado do blog da revista "Os meus livros"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"César está em casa"


No filme “Planeta dos Macacos: A Origem” (Rise of the Planet of the Apes),  César, um jovem macaco, encontra uma família adoptiva que o integra. Dá-lhe o carinho e a segurança que é habitual encontrar durante a infância. Fora da família, é óbvio que um macaco não se integra da mesma forma e à medida que cresce, o fosso entre ele e os humanos também se alarga. Preso numa instituição de acolhimento para primatas, César percebe o que é ser um macaco estúpido. César é fruto de uma experiência científica que revigora as ligações cerebrais como intuito de combater o Alzheimer. Este tratamento experimental aplicado na mãe de César, torna-o muito mais inteligente que os demais macacos. Coagido por um desejo de vingança, que cresce à medida dos maus tratos que sofre, César desenvolve dia-a-dia um projecto político: Cria alianças, arregimenta forças e aumenta-lhes as capacidades cognitivas. Entre os seus correligionários, encontra-se a força (um gorila), um intelectual (um orangotango) e um arruaceiro leal (um chimpanzé macho outrora rival).

Um dia, a revolta eclode e a óbvia repressão também. César refugia-se com os seus num bosque de sequóias na margem sul de S.Francisco. Mais tarde, o seu “dono” e amigo encontra-se com ele. Pede-lhe que reconsidere, que volte para casa, porque aquela atitude não o levará a lado nenhum. César recusa. E se até então apenas tinha conseguido dizer a palavra: “Não!” – agora encosta os seus lábios ao ouvido do ex-dono e, rodeado pelos da sua espécie, sussurra: ”César está em casa!”





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