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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A nossa Sophia


Na cerimónia de entrega do espólio da poetisa Sophia de Mello Breyner à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), o filósofo Eduardo Lourenço disse: " A poesia não pertence à História da Literatura. A poesia pertence à história da vida".

Não diria mais nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Qualidade versus Quantidade

A teoria dos contrários diz-nos que sem a noção de escuridão, a luz não tem significado. E sem o Mal, não há o Bem - teoria tantas vezes usada em interrogatórios policiais (Polícia Mau /Polícia Bom). Na época de escassez que se advinha, é importante reflectir sobre o tema ou dilema: Qualidade/Quantidade.

A Era da Revolução Industrial criou o objectivo da quantidade e da massificação. A nova Era é da QUALIDADE ( e já começou "à bué"). Qualidade de vida, de processos, de gestão, entre muitas outras formas. Contudo, como a história nos ensina, a fronteira entre duas Idades não é uma linha mas sim um espaço. Uma área temporal (e às vezes geográfica) onde gradualmente uma forma de viver desaparece, enquanto outra surge na proporção inversa.

Hoje, temos um bom carro (com muitos cavalos), mas não temos tempo, nem dinheiro para ir a nenhum sítio especial. Amanhã, teremos apenas uma bicicleta, mas, pelo menos, meio-dia para dar "umas voltinhas" pela floresta onde chilreiam os pássaros e as crianças sorriem. Parece fácil e é. Mas as nossas cabecinhas industriais não deixam a qualidade surgir com a brevidade necessária para que  possamos usá-la em tempo útil de vida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Maternidade


A maternidade é uma "cena de género " em que é representada uma mãe que segura e acaricia um recém-nascido que responde com carinho.

Esta pintura é um óleo de100x100, pintado em 1935, em Lisboa depois da estadia de Almada Negreiros em Madrid. A primeira exposição deste quadro foi no VI salão de arte moderna realizado em 1941. Hoje encontra-se em exposição no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian. Esta pintura foi elaborada em pleno regime do Estado Novo.
Podemos dizer que o modernismo era a arte oficial do estado Português e estes artistas tinham apoios para evoluírem e "escoarem as suas obras ". Esta obra não é excepção. Desde 1935, José Almada Negreiros era apoiado pelo secretariado da propaganda nacional.
Este quadro é uma representação bastante simples e natural, usando apenas três cores ( as cores primarias ). A mãe é representada com uma certa robustez , isso é demonstrado com os contornos da roupa, a posição das mãos e dos pés sugerem uma viragem de Almada Negreiros para o
neo-realismo. Esta obra evoca a relação mãe-filho , onde estes se acariciam mutuamente. Esta temática permite efectuar um paralelo com o regime do Estado Novo . O "ideário" fascista defende a mulher em casa, a mulher que tem o papel de ser mãe como preponderante. Digamos que esta obra sensibiliza esse gosto e desejo pela maternidade . Almada Negreiros com esta representação visa criar um clima intimista, simples e natural, fazendo uma espécie de metáfora do que é a relação Mãe-filho.
Esta obra enquadra-se na corrente artística do modernismo, apesar de alguns elementos desta obra, como a posição ofertante das mãos e a posição dos pés, iniciarem um processo de viragem para o neo-realismo.

Autor: Pedro M. de Castro
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