FAZ-TE MEMBRO DESTE BLOG E RECEBE NOTIFICAÇÕES DOS NOVOS POSTS

domingo, 18 de dezembro de 2011

A dupla medida de um homem


"Ainda jovem, fiquei absolutamente espantado, quando soube que Napoleão, no cerco de Toulon, tremia como uma vara. Um oficial que estava perto dele, disse-lhe:"Mas estás a tremer de medo!". Napoleão respondeu-lhe: "Se tivesses o medo que eu tenho já terias fugido a sete pés daqui".


Roberto Rossellini - Realizador

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mondego

O documentário da vida selvagem realizado desde a nascente (Mondeguinho) do Rio Mondego à sua foz (Figueira da Foz) por Daniel Pinheiro tem uma excelente qualidade. Foi realizado no âmbito de um projecto final do seu mestrado em produção de documentários da vida selvagem na Universidade de Salford, onde foi aluno do famoso David Attenborough. O potencial destes documentários num pais tão diversificado e bonito é imenso. Obrigado, Daniel. Pelo trabalho e pela paciência para conseguir filmar o raro melro de água. 




A Perspectiva das Coisas - A Natureza-Morta na Europa


Paul Cézanne - Natureza -morta com Pote de Gengibre e Beringelas - 1893-94

Dizia Napoleão Bonaparte:" Posso perder mil homens, uma oportunidade nunca". Por esta razão, não perca a oportunidade de admirar um conjunto de obras de arte, vindas de todo mundo, e reunidas sobre a égide da forma de expressão pictórica "Natureza Morta".

A história da pintura do final do século XIX e XX olhada através de "coisas".
Exactamente!
Coisas desligadas do seu ambiente natural e por isso mesmo "mortas". É um exercício de estilo, que obviamente os pintores da modernidade não renegaram - eles mesmos, dados como ninguém à experimentação.

 A exposição divide-se em 12 Núcleos, como por exemplo, "Estrutura e Espaço", "A essência das coisas: materialidade e imaterialidade ou "A crise do objecto: sonhos e pesadelos", onde estão representados pintores de referência , como Manet, Monet, Renoir, Van Gogh, Gauguin, Cézanne, Braque,Picasso, Gris, Dali, Magritte ou Matisse. Pode ainda ver obras dos portugueses Amadeo Souza-Cardoso, Eduardo Viana Mário Eloy e Vieira da Silva.


A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa

Terça a Domingo
Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian
Até 8 de Janeiro

Curadoria: Peter Cherry
Preço: 5€

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jardins de Monserrate - Excertos de uma utopia


Cada época, cada geração, cada sensibilidade expressa ou materializa a sua utopia. A utopia (Lugar Nenhum) de Thomas More cinge-se a uma ilha perfeita onde a razão e a justiça imperam. Era este o ideal de uma época, em que os novos mundos trazidos pelas caravelas estavam por descobrir. Quando o "Novo Mundo" dos  Gamas e dos Columbos surge, reformula-se a utopia, porque se sabe já de antemão que esta não será nenhuma ilha nos mares do sul. 

Muitas outras formas paradisíacas, interceptam-se e complementam-se, como é óbvio. A história está repleta de   utopias. Sempre acreditei que, apesar das utopias não se concretizarem, servem de referência - neste caso uma referência suprema. Como diria Descartes, se existe um ideal de perfeição e omnipotência, então Deus existe.


E por falar em perfeição e nas manifestações divinas, falemos nos belos e românticos jardins de Monserrate - Sintra, um lugar onde homens muito ricos como William Beckford ou Sir Francis Cook poderam desafiar os deuses e conciliar uma visão pessoal de paraíso. Riqueza e Beleza, esse privilégio dos homens afortunados que lhes possibilita conciliar "Negócio" e "Ócio" no espaço de uma existência.

O jardim é por definição uma forma ordenada e humanizada de natureza. Logo, não foge aos gostos da época. O jardim e o palácio de Monserrate denota uma forte inspiração romântica expressa no orientalismo e exotismo, essa corrente que projecta os ingleses para o vasto império vitoriano. Uma cascata, um jardim de fetos árboreos, um jardim mexicano, a ruina de uma capela envolvida por uma luxuriante árvore da borracha e um arco indiano resultante de um espólio de guerra são alguns dos apontamentos que poderá encontrar através do sinuoso (mas aventuroso) caminho do jardim.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O memorável Sócrates


Morreu o futebolista brasileiro Sócrates. Foi capitão da selecção brasileira (1982-86), figura de destaque no Corinthians, médico e marxista por formação e vocação.

Quando questionado relativamente à  perda do títlulo mundial de futebol, num jogo onde o carrocel mágico do futebol brasileiro foi derrotado pelo defensivo e traiçoeiro esquema táctico da selecção italiana por 3-2, nos quartos-de-final da Copa do Mundo, ele respondeu:"Ser campeão é só um detalhe. Não se joga para ganhar, joga-se para não ser esquecido.".

Tinhas razão, Sócrates. Hoje eu ainda me lembro de ti, "Magrão". Porém, já não me lembro quem era o capitão da selecção italiana desse negro ano de 1982.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A Idade Média Árabe


Acabei de televisionar uma entrevista com Louis Sako, Bispo de Kirkuk - Iraque. Ele referiu que por detrás da "Primavera Árabe", temos a mão do Islão. Basta escutar os slogans entoados pelas revoltosos no Egipto que juntam as palavras "Liberdade" e "Democracia" com "Alá". 


Democracia e estado clerical são incompatíveis, como mostra o processo histórico que se iniciou entre a Renascença e as Revoluções liberais.


"Parlamentarismo", "Sucessão" e "Divisão de Poderes" não rimam com alguns movimentos Islâmicos com projectos políticos na sua agenda. O Bispo pede aos seus amigos Imãs que não cometam os mesmos erros dos cristãos quando organizaram e mantiveram uma civilização baseada nos dogmas cristãos (Idade Média). Se há 500 anos atrás, deixou de fazer sentido, hoje não faz nenhum.


A comunidade cristã tem meio milhão de crentes no Iraque.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sugestão

Aproveitem o feríado de 1 de Dezembro de 2011 como se fosse o último...

PS. Obrigado, Álvaro.

sábado, 26 de novembro de 2011

Tempos arriscados

Porque passamos quase todos por um momento de incerteza e de risco, precisamos sobretudo de nos rirmos de nós próprios. Não nos levarmos demasiado a sério, vai certamente ajudar.


E para rir, Charlie Chaplin oferece-nos uma ajuda. Também ele esteve fechado na jaula com o perigo, mas com a ajuda do amor conseguiu escapar-lhe.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Luiz Pacheco - Uma biografia

Quanto pediram, ao intratável escritor Luiz Pacheco, uma frase para a posteridade, ele vociferou: “Vão para a puta que os pariu!”



João Pedro George agarrou, e muito bem, nesta frase para intitular a biografia do escritor que também foi editor e tradutor. A não perder.

Autor: João Pedro George - Ed.Tinta da China

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A muy nobre arte de poemar no dia de finados

Novembro na praia é mesmo para quem gosta dela e só dela, porque não há nada para além de contemplá-la. 






Ao caminhar pela beira-mar, percebi que deixava um rasto até perder de vista. Olhando para esse carreiro, escrevi:


A geologia eterna dos meus passos
grava fósseis precários pela beira-mar de um mistério
que teimo em descrever-vos. 


Por detrás de mim,
como um alfabeto antigo,
fica um carreiro de pés em fuga para o mar. 


Esse mesmo mar 
onde escondidas, as ninfas, 
podem agora descansar e aguardar,
nos seus rendilhados lençóis de sal, 
o regresso do sol.




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Robinson Crusoé" - Afinal tu não precisas de ninguém !


Na minha  santa infância, este clássico da literatura era, para mim, uma inocente história de um naufrago numa ilha sem vida humana que conheceu um dia um selvagem a quem chamou "Sexta-Feira".

Agora que ando a lê-lo e, com a ajuda do meu filho, a estudá-lo, percebo que é uma obra iniciática e uma espécie de bíblia do pensamento individualista, protestante e da colonialização inglesa.

Não creio que o seu autor, Daniel Defoe, se tenha preocupado em escrever uma obra filosófica. Ele quis escrever um best-seller de aventuras e por isso deixou-nos, de uma forma genuína, uma corrente de pensamento em estado bruto. Leiam. É revigorante (em tempos de crise) imaginarmos, que mesmo numa ilha, um homem, não só consegue sobreviver, mas ainda prosperar em todas as suas vertentes: material, intelectual e religiosa.

PS. Foi publicado 1719. Por isso, recomendo a versão de bolso para quem não tem muito tempo e deseja apenas ler o essencial.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Álvaro de Campos no Debate do Orçamento de 2012



Ao ouvir o debate da Assembleia da Republica (AR) sobre o orçamento de estado para 2012, pareceu-me estar a ouvir uma ópera bufa, onde cada qual dos actores (representantes do povo) tinha um papel estudado e ensaiado, num grande ensaio geral numa antecâmara da AR.

Lembrei-me, então, de um poema do Álvaro de Campos:

"(...)
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.

Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.

Merda! Sou lúcido.
(...)"

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O elogio da loucura:"Mad men"





Mad Men é uma série televisiva norte-americana de qualidade arrebatadora. Um género de ficção possível, mas impossível para o comum dos mortais. Há na  indole de Don Draper (Jon Hamm), o protagonista da série,  uma loucura saudável que nos faz inveja. Imaginamos que uma atitude  nossa  seria suficiente para inverter a nossa inerte realidade pessoal. Don surpreende-nos ao inventar e realizar esses  actos inesperados (mas humanos e geniais). E nós surpreenderíamos  Don (ou talvez não), se ele fosse real e nos olhasse de cima como um deus, por razões exactamente inversas.

Como escreveu Jean-Paul Sartre : “Estamos condenados à liberdade. “. Porém o livre arbítrio atrapalha-nos e ficamos com medo de existir. Don Draper ultrapassa este obstáculo ainda que seja apenas num guião, numa mitologia moderna - que ao contrário das tragédias gregas até acaba bem e tem várias temporadas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Belo + Belo = Ruy


"Homem de Palavras(s)" é o mote para o colóquio internacional sobre Ruy Belo que a Fundação Calouste Gulbenkian promove nos próximos dias 3 e 4 de Novembro, em homenagem a um dos poetas centrais da segunda metade do século XX.

Ruy Belo é para mim um caso extremo de empatia. Parte do quotidiano para o sagrado, elegendo a memória como espaço privilegiado da sua inspiração.
Habita um espaço urbano, periférico às vezes, e dai eu goste tanto do poeta do Monte Abraão (Queluz).


Ruy Belo começou por ser bendito (devido sua ligação ao Catolicismo) e acabou por ser maldito, o que implicou mesmo ser excluído do sistema das "capelinhas" do poder e da literatura.


Bem haja o poeta das "Oh as casas as casas as casas" que deixo aqui um extracto:


"(...)Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade (...)"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

República em calções

5 de Outubro. Dia de revolução. Dia  de mudança. E não há maneira melhor de homenagear a mudança do que estar em Outubro na praia a usufruir do melhor dia de praia de 2011.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

E antes que Setembro chegue ao fim, Ruy Belo


"Setembro é o teu mês, homem da tarde
anunciada em folhas como uma ameaça
Ninguém morreu ainda e tudo treme já
Ventos e chuvas rondam pelos côncavos dos céus
e brilhas como quem no próprio brilho se consome (...)"

Extracto de "Relatório e Contas" - Ruy Belo

DN Jotas na Bulhosa Livreiros



Apresentou-se ontem, na Livraria Bulhosa do Campo Grande, o livro "DN Jovem - entre o papel e a net" da jornalista (e mestre) Helena de Sousa Freitas.

Foi um marco histórico  reunir, creio que pela primeira vez, as gerações do suplemento da versão papel e da versão digital.

Foi com grande prazer que revi o Luis Filipe Silva, o Luis Graça, o Joaquim Cardoso Dias, o Álvaro Silva, o Pedro Mexia, a Adriana e o Manuel Silva. E que conheci o Sérgio Lavos e Ruben Ferreira.

Gostei da apresentação do livro efectuada pelo Pedro Mexia e pela Helena de Sousa Freitas. Porém, não posso deixar de referir a grandeza de alma do Manuel Silva que na sua intervenção reclamou a atenção para todos os outros responsáveis e quadros do DN que o ajudaram a levantar o incontornável DN Jovem.

Mexia, no seu melhor registo, focou um dado curioso: "O Estado Novo,  por razões de indole política, acabou com o suplemento juvenil do Diário de Lisboa. A Democracia acabou com o DN Jovem por razões comerciais".

Estaria lançada a polémica se houvesse quem a quisesse debater. Mas acho que também não é uma discussão rentável.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Uma tertúlia

Dez - Poesia reunida de 10 autores do DN Jovem
 (1995)




O Luís Filipe Silva falou-me, através do novo arauto do reino - o Facebook - do lançamento do livro "DN Jovem - entre o papel e a net" de Helena de Sousa Freitas. Disse-me que já tinha o livro e que estava bom. Referenciava-nos a ambos: a ele (bastante) e a mim . Fiquei curioso.



Segunda-feira, fui à Bertrand do Campo Pequeno e, depois de passar uma vista de olhos, comprei o livro. Pareceu-me bom e completo. "Pareceu-me" porque ainda não li detalhadamente. Mesmo assim encontrei algumas referências no livro que passo a citar e que ficam para memória futura - se é que vai haver memória futura desta nova era digital - dos encontros semanais com alguns dos colegas poetas e prosadores daquela época:

"Éramos sete ou oito colaboradores colaboradores da parte da escrita. Estou-me a lembrar: era eu (José Mário Silva), o Pedro Mexia, o Alexandre Andrade, o Luis Palma Gomes, a Margarida Vale de Gato, a Diana Almeida, o meu irmão, Manuel Deniz Silva. Portanto, era um grupo. Nós reuniamo-nos e era um complemento da experiência do DN Jovem. Por um lado, comentávamos o suplemento, aquilo que achávamos, de que tínhamos gostado mais e menos, líamos textos que estávamos a pensar enviar para o suplemento - ou que eram para ficar na gaveta-, para ter a opinião dos outros, comentávamos os livros que andávamos a ler, os filmes que víamos, etc. Era um encontro puramente cultural e, muitas vezes, a seguir íamos ver um filme todos juntos. E essa tertúlia durou bastante tempo, pelo menos uns dois ou três anos, até que, depois quer a vida académica, de estudos, quer a vida profissional, começou a torná-la inviável. Mas eu fiquei amigo dessas pessoas. Com umas estou mais, com outras menos, mas acho que se criou...um movimento seria exagerado, ou sequer uma corrente, ou sequer uma capelinha, nada disso...mas criou-se um leque de afinidades electivas que eu acho que permanece ainda hoje" recapitulou José Mário Silva três anos depos opinião similar expressa na Feira do Livro.

sábado, 17 de setembro de 2011

DN Jovem “biografado” em livro


Durante mais de uma dezena de anos, as terças-feiras foram aguardadas com ansiedade por muitos jovens criadores portugueses. Escritores, fotógrafos, ilustradores e cartoonistas em início de jornada contavam as horas para verificar se os trabalhos enviados para o DN Jovem haviam sido seleccionados. Helena de Sousa Freitas, Ex-Directora Adjunta do Diário de Notícias, escreve sobre aquele que foi, seguramente, o mais memorável suplemento de colaboração juvenil na imprensa do Portugal democrático. O livro chama-se “DN Jovem - Entre o Papel e a Net – História e Memórias de uma Transição”, é publicado pela Esfera do Caos e o lançamento é dia 28 de Setembro, às 18h 30m, apresentado por Pedro Mexia, na livraria Bulhosa Books & Living Entrecampos.


Post copiado do blog da revista "Os meus livros"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"César está em casa"


No filme “Planeta dos Macacos: A Origem” (Rise of the Planet of the Apes),  César, um jovem macaco, encontra uma família adoptiva que o integra. Dá-lhe o carinho e a segurança que é habitual encontrar durante a infância. Fora da família, é óbvio que um macaco não se integra da mesma forma e à medida que cresce, o fosso entre ele e os humanos também se alarga. Preso numa instituição de acolhimento para primatas, César percebe o que é ser um macaco estúpido. César é fruto de uma experiência científica que revigora as ligações cerebrais como intuito de combater o Alzheimer. Este tratamento experimental aplicado na mãe de César, torna-o muito mais inteligente que os demais macacos. Coagido por um desejo de vingança, que cresce à medida dos maus tratos que sofre, César desenvolve dia-a-dia um projecto político: Cria alianças, arregimenta forças e aumenta-lhes as capacidades cognitivas. Entre os seus correligionários, encontra-se a força (um gorila), um intelectual (um orangotango) e um arruaceiro leal (um chimpanzé macho outrora rival).

Um dia, a revolta eclode e a óbvia repressão também. César refugia-se com os seus num bosque de sequóias na margem sul de S.Francisco. Mais tarde, o seu “dono” e amigo encontra-se com ele. Pede-lhe que reconsidere, que volte para casa, porque aquela atitude não o levará a lado nenhum. César recusa. E se até então apenas tinha conseguido dizer a palavra: “Não!” – agora encosta os seus lábios ao ouvido do ex-dono e, rodeado pelos da sua espécie, sussurra: ”César está em casa!”





terça-feira, 23 de agosto de 2011

Portugal positivo



Todos os dias a encabeçar a primeira página do Diário de Notícias, pode encontrar-se uma singela frase onde se anuncia um facto. Isso mesmo, um facto positivo e cuja objectividade não deixa espaço para dúvidas. O seu teor pretende sempre realçar o que de positivo e bom se faz em Portugal. Por exemplo, hoje, anuncia-se que o Azeite Gallo é a marca de azeite mais vendida no Brasil.

Bem hajam os optimistas, tão escassos neste "rectângulo".

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Onde estarei eu agora em criança ?

"Onde estarei eu agora em criança ?", escreveu  Fernando Pessoa.

Metido nas quatro paredes do escritório, lembro-me dos tempos de escola e fico a desejar que jogassemos "à-bola" de 90 em 90 minutos como nos velhos e bons intervalos da escola.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ainda o Rinoceronte

Voltei aos Jardins da Gulbenkian como um criminoso volta ao local do crime. A besta continuava tranquila, pastando as horas vagas e quentes de Agosto.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Rinoceronte de Dürer

Passear pelos Jardins da Fundação Gulbenkian é um momento de prazer seguro. "Pastando" na relva, quem eu vi lá ? O Rinoceronte do Dürer. Tirei um quarto de hora do almoço e fiz um esboço.



Albrecht Dürer é uma dos mais relevantes personalidades do Renascimento. Este alemão, filho de um ourives, foi desenhador, pintor, matemático e filósofo. Uma personalidade multifacetada como outras desta época (Da Vinci). Pintou o Rinoceronte, oferecido pelo Dom Manuel I ao Papa Leão X, que tanto furor fez na Europa Seiscentista. O extraordinário é que Dürer nunca viu o Rinoceronte e, ainda assim, efectuou este magnifico desenho - um colosso de imaginação, técnica e criatividade quando comparado com outras representações destes animais naquela época:


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Espaços vazios



Percorrendo o clássico livro  de desenho para iniciantes "Drawing on the rigth side of the brain", aprende-se o valor dos espaços vazios (Negative spaces - na tradução do citado livro) que envolvem as figuras que desejamos desenhar, ou melhor, realçar. Na verdade, ao desenhamos as margens dos espaços vazios, estamos a desenhar a figura envolvida neles. 


Também na música, os silêncios são determinantes e sobretudo marcam o ritmo. 


Na poesia, as quebras dos versos deixam-nos saborear o que acabámos de ler e permitem que as palavras ganhem fôlego para o próximo verso.

Talvez seja por isso, ou também por isso, que quem já viu o deserto diz que é uma paisagem e sensação inesquecíveis.

Como escreveu o dramaturgo irlandês Samuel Beckett: "Nothing is more real than nothing".

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

1 haiku


A urbe range
Mas a cigarra canta
Abro a janela


Haiku é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco caracteres japoneses (totalizando sempre cinco sílabas), e sete caracteres na segunda linha (sete sílabas).


domingo, 26 de junho de 2011

Ulisses


O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

Fernando Pessoa em "Mensagem"

terça-feira, 14 de junho de 2011

Salva a Terra 2011


Este fim de semana, houve eco-festival em Salvaterra do Extremo: O "Salva a Terra". 4 dias de folgança, dança e muita natureza. Os músicos e as bandas eram todos muito bons. Realço o blues-folk de Frankie Chavez no Palco Pôr do Sol e "Velha Gaiteira", onde dois percussionistas e um tocador de gaita de foles deram um bom concerto. O meu local favorito era a tenda do Chá Livre. Tinha sempre 3 chás (Quentes e Frios) e pagava-se o que se queria. Bebia-se o chá debaixo de uma tenda magrebina com fofas almofadas e antigas edições da revista "LER". Quando tomava banho no rio Erges, passou um velho peugeot com uma pequena caravana. Era o casal (Hipie) do Chá Livre. Acenei um sentido adeus. Eles, em cima da ponte, corresponderam. Até à próxima, pessoal. Espero que se seja o mais cedo possível. Em 2013, "Salva a Terra" volta à aldeia raiana do concelho de Idanha-à-Nova.

PS. Aproveitei um momento entre as actividades do eco-festival, para desenhar uma janela em granito.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Os espontâneos


    Imagem do jornal "Record"



Os espontâneos são cada vez mais raros. Talvez porque vivemos uma época de fortes competências e onde o amadorismo raramente é bem visto pelos outros. Não resta, por isso, muito espaço para a espontaneidade. Há contudo excepções, ainda há pouco tempo, uma das crónicas que li, no "Público", do Miguel Esteves Cardoso (MEC) elogiava uma candidatura espontânea que receberam no jornal.


Na cultura tauromáquica, há também este conceito do espontâneo. Alguém que salta de entre os espectadores para arena, tentando a sorte e a oportunidade de lidar um touro. Alguns chegam a toureiros, outros são colhidos com gravidade.

Há muitos anos atrás, um futebolista chamado Espírito Santo, acabava os treinos de futebol e saltava em altura, de forma a bater o recorde nacional da modalidade de Salto-em-altura.


Mais recentemente, fomos brindados com um "adepto – espontâneo" que quebrou a monotonia de um jogo de futebol. Foi bonito de ver, aquele leve assomo de liberdade.

Nota: Leiam as crónicas do MEC no jornal Público - São momentos de extrema lucidez.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A árvore da vida





Entre este blog e o filme de Terence Malik há mais que uma simples parecença de títulos. Apesar das óbvias diferenças de formato, há uma ideia comum: Uma ponte entre criador e a  sua criação, entre o Pai e o Filho  e entre Deus e as leis do universo.

Como na experiência documentada no filme, a relação entre o criador e a criação nem sempre resulta num final feliz e numa vivência fácil. Existem  leis, sensibilidades e culturas que impoêm limites e angustias. No final, o pai humano revela-se frágil. Enquanto, o pai divino revela-nos uma proposta de sentido para a vida. Por outro lado, os homens têm a possibilidade de perdoar. Enquanto a Deus apenas resta a obrigação de fazer cumprir a sua lei.

O filme pode ser simples, tão simples que  roça o ingénuo. Ou por outro lado pode levar-nos a perguntas e ligações complexas. Uma coisa é certa: Uma grande realização, fotografia e actores de grande valor. O argumento que parece curto, torna-se, em determinada perspectiva, na história do Universo.

Se quiser  sentir, durante curtos minutos, a sensação de nascer outra vez, não perca esta oportunidade.





The Tree of Life (titulo original)
 
 Director: Terrence Malick


Argumento: Terrence Malick

Actores:Brad Pitt, Sean Penn and Jessica Chastain

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Locais de culto: Igreja de São Roque - Lisboa


Quando visitamos igrejas, nos 4 cantos da cristandade, ficamos admirados com as suas capelas, retábulos, frescos, entre muitos outros predicados. Contudo, visitei uma igreja lisboeta cujo exterior, sóbrio e vulgar, não deixa transparecer o seu interior magnifico e vibrante, nem fica nada a dever aos mais belos lugares de culto europeus. Talvez porque algumas das suas lustrosas capelas se encontram, em fase adiantada de restauro, que a sua beleza resplandeça ainda mais.

Foi erigida, pela Companhia de Jesus, nos século XVI e decorada gradualmente durante os séculos XVII e XVIII. É notório que a contra-reforma obrigou esta igreja  a adoptar um perfil humilde para a fachada e depois a um maneirismo e barroco esplendoroso, na forma como compôs o seu interior. O facto de ter resistido ao terramoto de 1755,  torna-a mais sui generis e obrigatória entre os lugares de culto alfacinhas.

Se desejarem conhecer mais detalhes podem iniciar a navegação pela wikipédia:

A igreja situa-se no Largo Trindade Coelho, paredes meias com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e o Bairro Alto. Ao domingo, existe uma visita guiada (em português) à igreja e ao museu de arte sacra com o mesmo nome, pelas 16.00 horas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O rosto de Deus

Quantos rostos tem Deus ?
Valerá a pena correr o risco de os revelarmos ?
Não correremos o risco de nos enganarmos ou desgastar o seu mistério?
Cada homem, povo ou religião terá as suas respostas e perguntas.
 
Este local que vos mostro através de uma foto que tirei durante a primavera, é para mim um rosto de Deus. E se não for o rosto dele, é pelo menos a sua imagem refletida no espelho da terra.


Local: Vale de Idanha (Rio Erges) - Freguesia: Salvaterra do Extremo - Concelho: Idanha-a-Nova - Distrito: Castelo Branco

Outro pormenor mais a jusante:


Local: Garganta no Rio Erges (perto da Fonte da Ribeira) - Freguesia: Salvaterra do Extremo - Concelho: Idanha-a-Nova - Distrito: Castelo Branco

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Combinações deliciosas

Há combinações fantásticas de pessoas, momentos e lugares. O tridente atacante de Figo-Eusébio-Cristiano, um dueto com a Amália e o Carlos do Carmo e a musica coral do século XV, “Belle que tiens ma vie”, cantada na Saint-Chapelle na ille de la Cité – Paris. Deixo-vos uma foto e um vídeo. E ainda a hercúlea tarefa de imaginar como seria o concerto:


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uns e Outros

Ainda a propósito do ultimo post deste blog sobre educação, gostaria ainda de citar uma conversa que ouvi durante uma crise que aconteceu no SL Benfica nos anos 90. Perguntava o jornalista ao central brasileiro Carlos Mozer:

"Mozer, é verdade que o balneário do Benfica está dividido em 2 grupos ?".


Responde o Mozer:

"Sim, é verdade. Existem de facto 2 grupos. Os que trabalham e os que não trabalham".

É uma forma simples de ler as coisas. Mas o essencial, é perceber porque não trabalham alguns? E o que é que os lideres das organizações podem fazer para melhorar a produtividade dos mais renitentes em colaborar ?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A teoria do jogo da corda

Contava-me há pouco um jovem : "Existem dois grupos de jovens: Aqueles que vão para um colégio privado e são colocados desde muito cedo numa redoma de vidro para sempre. Depois há os da escola publica que pura e simplesmente passam a vida a boicotar a sua própria escola. Ambos os grupos puxam a corda em direcções opostas." Perguntei-me porquê esta vontade do segundo grupo em boicotar a sua própria educação ? Acho que eles rejeitam, sensatamente, que estejam a ser educados para servirem os outros, os do primeiro grupo. Rejeitam ser "another brick on wall".

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O herói-elefante

Um herói tem valores próprios e bem definidos. O grupo revê-se nele, apesar do herói muitas das vezes nem se aperceber da sua importância e da relevância dos seus valores espirituais. Ainda assim, o grupo, ansioso por uma liderança em que se reveja, reúne-se em torno dele, na clareira da floresta, que o herói abriu como fazem os elefantes.

O herói distancia-se do narcisismo, do mero interesse pessoal e sobretudo não se deslumbra com a visível popularidade. Quando isto acontece a sua heroicidade é cantada pelos poetas, amada pelos outros e invejada por alguns.

Precisamos de heróis, sempre.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A nossa Sophia


Na cerimónia de entrega do espólio da poetisa Sophia de Mello Breyner à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), o filósofo Eduardo Lourenço disse: " A poesia não pertence à História da Literatura. A poesia pertence à história da vida".

Não diria mais nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Qualidade versus Quantidade

A teoria dos contrários diz-nos que sem a noção de escuridão, a luz não tem significado. E sem o Mal, não há o Bem - teoria tantas vezes usada em interrogatórios policiais (Polícia Mau /Polícia Bom). Na época de escassez que se advinha, é importante reflectir sobre o tema ou dilema: Qualidade/Quantidade.

A Era da Revolução Industrial criou o objectivo da quantidade e da massificação. A nova Era é da QUALIDADE ( e já começou "à bué"). Qualidade de vida, de processos, de gestão, entre muitas outras formas. Contudo, como a história nos ensina, a fronteira entre duas Idades não é uma linha mas sim um espaço. Uma área temporal (e às vezes geográfica) onde gradualmente uma forma de viver desaparece, enquanto outra surge na proporção inversa.

Hoje, temos um bom carro (com muitos cavalos), mas não temos tempo, nem dinheiro para ir a nenhum sítio especial. Amanhã, teremos apenas uma bicicleta, mas, pelo menos, meio-dia para dar "umas voltinhas" pela floresta onde chilreiam os pássaros e as crianças sorriem. Parece fácil e é. Mas as nossas cabecinhas industriais não deixam a qualidade surgir com a brevidade necessária para que  possamos usá-la em tempo útil de vida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Maternidade


A maternidade é uma "cena de género " em que é representada uma mãe que segura e acaricia um recém-nascido que responde com carinho.

Esta pintura é um óleo de100x100, pintado em 1935, em Lisboa depois da estadia de Almada Negreiros em Madrid. A primeira exposição deste quadro foi no VI salão de arte moderna realizado em 1941. Hoje encontra-se em exposição no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian. Esta pintura foi elaborada em pleno regime do Estado Novo.
Podemos dizer que o modernismo era a arte oficial do estado Português e estes artistas tinham apoios para evoluírem e "escoarem as suas obras ". Esta obra não é excepção. Desde 1935, José Almada Negreiros era apoiado pelo secretariado da propaganda nacional.
Este quadro é uma representação bastante simples e natural, usando apenas três cores ( as cores primarias ). A mãe é representada com uma certa robustez , isso é demonstrado com os contornos da roupa, a posição das mãos e dos pés sugerem uma viragem de Almada Negreiros para o
neo-realismo. Esta obra evoca a relação mãe-filho , onde estes se acariciam mutuamente. Esta temática permite efectuar um paralelo com o regime do Estado Novo . O "ideário" fascista defende a mulher em casa, a mulher que tem o papel de ser mãe como preponderante. Digamos que esta obra sensibiliza esse gosto e desejo pela maternidade . Almada Negreiros com esta representação visa criar um clima intimista, simples e natural, fazendo uma espécie de metáfora do que é a relação Mãe-filho.
Esta obra enquadra-se na corrente artística do modernismo, apesar de alguns elementos desta obra, como a posição ofertante das mãos e a posição dos pés, iniciarem um processo de viragem para o neo-realismo.

Autor: Pedro M. de Castro
_