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sábado, 28 de novembro de 2009

Pátio dos Deuses -Parte III

Ano 72 da Nova Era ( antigo ano de 2090 DC ).

Em 1998 DC, o meu avô brincou neste pátio. Aliás, o único vestígio que ficou depois de terem arrasado os prédios antigos e plantado este bosque. Naquele tempo, as mentes morriam com os corpos e as pessoas trabalhavam 7 horas ou mais por dia. O capitalismo estava, como ainda hoje, no auge. Porém, as pessoas estavam mais interessadas em ter coisas materiais do que tempo, árvores, amigos ou boas conversas. Eram outros tempos.

Felizmente, os deuses daquele velho pátio morreram. Nem os Deuses são eternos. No ocidente, de vez em quando, mandamo-los dar uma “curva ao bilhar grande”, quando já não servem para nada. Sobre a sua memória, fazemos aquilo que em gestão chamamos Inovação Incremental. Isto é, não rompemos completamente com o modelo anterior, apenas acrescentamos uma camada – que neste caso são tão-só novos deuses.

Dizem que tudo começou naquele dia em que o meu avô pediu ao seu pai, para escrever um post no Blog, inserido numa manta de retalhos narrativos que chamavam “Pátio dos Deuses”. Um Blog era uma espécie de diário electrónico que existia numa rede de dados de dimensão mundial, chamada World Wide Web.

O meu bisavô ficou confuso. Porque razão tinha o filho pedido-lhe para escrever aquele post ? Inventou uma pequena história de ficção científica para despachar o assunto entre tantos outros assuntos que tinha na sua agenda.

Mal sabia ele, que todas as profecias daquela short-story se tornariam mais tarde realidades.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pátio dos Deuses - Parte II


Os serões tardios do pátio dos deuses tinha a companhia especial do meu amigo Nelson. Um rapaz peculiar na sua essência. A sua voz era fina, e aos nove anos ainda não falava correctamente. Na nossa turma era o elo mais fraco, quem diria que ele seria alguém. É normal. A natureza filtra os melhores. Os fracos caem nas teias do fado e são esmagados no desespero. Bem, mas voltando ao essencial deste fulano. Passávamos horas no pátio, brincávamos, imaginávamos, atirávamos pedras ao comboio, naquela altura nem nos pareciam pedras, talvez o utilize o termo meteoros para qualificar aquilo que realmente atirávamos. Esquecíamos o leito do destino. Éramos livres . O Nelson era o meu melhor amigo, porque era o mais fraco, sempre amei causas perdidas. Ainda hoje procuro causas para lutar . Os anos foram passando rápido, vertiginosamente rápido. Fomos engolidos pelas marcas do tempo .


Hoje já nem sei quem é o Nelson. Aquilo que ele verdadeiramente é. Como é que as chagas do tempo fizeram–me esquecer os fracos ? Agora só me lembro dos vencedores. Em mais um momento introspectivo, questiono o porque do esquecimento.


Eu queria mesmo lembrar-me deste derrotado. Ele era mais que um simples esgazeado para mim.

Ouvi dizer que está em Leiria. Empacotou os argumentos da infância e é recluso de uma melodia melancólica das teclas de uma teclado informático . Esta angustia dá-me agonia interior. É algo com que não me conformo. Eu acho o passado tão confortável e cada vez mais tenho pavor da mudança. Quero abraçar o Nelson. Dizer-lhe que volte, porque o pátio espera-o. E a infância, essa continua sentada no banco do parque à espera que ele venha com a sua fraqueza .

Dedicado ao meu amigo Nelson, um abraço e um desejo sincero para a sua vida futura e para os seus sonhos.



Pedro M. de Castro

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia de Finados


Triste.

Choro, fazendo cair as folhas sobre o meu entendimento.

Ontem, página mesclada de verde e morangos.
Hoje, apenas página.

Avanço.

O sol pôe-se num crepúsculo de Deuses por venerar.

Luto.

Refem,
entrego-me às correntes de Novembro.

Os sinos dobram até ao encantamento.

Adormeço.
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