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quinta-feira, 26 de março de 2009

A Tradutora


tu lês. antes de ti, ela muda as palavras. antes dela,
eu escrevo. eu passei por aqui, ela passou por aqui,
tu passas agora por aqui.

entendes isso? ela está onde tu estarás. eu estou onde
ela estará. eu corro pelas palavras, ela persegue-me.
tu corres atrás de nós para nos veres correr.

eu escrevo casa e continuo pelas palavras. ela segura
as letras da casa e escreve vida. tu lês vida e entendes casa
e vida. eu não sei o que entendes.

eu corro. ela corre atrás de mim. tu corres atrás dela.
não existimos sozinhos. sorrimos quando paramos,
quando nos encontramos. aqui.

José Luís Peixoto "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, 17 de março de 2009

Arquitectura é para comer !


"Ó subalimentados do sonho/ A poesia é para comer!" - escreveu a poetisa Natália Correia.

Quando vi as imagens da maquete do novo estádio idealizado para Luanda acolher a abertura e a final da CAN 2010 (Campeonato Africano de Futebol), lembrei-me de acrescentar "A arquitectura também é comer".

Deve-se experimentar um profundo estado onírico e humano ao assistir a uma partida de futebol dentro de um poema de betão.

O estrutura do equipamento desportivo inspira-se numa rara e antiga planta angolana: Welwitschia mirabilis. Este testemunho da história natural originária do deserto da Namíbia (Norte da Namíbia e Sul de Angola) e tem como principal característica a sua resistência ao clima extremamente seco do deserto.

Existe uma lenda em redor das capacidades secretas desta planta que lhe atribui o sub-nome de "mirabilis". Acontecia que muitos viajantes e naturalistas desapareciam sempre que o seu percurso ou lugar de estudo se relacionava com as welwitschias. A partir deste fenómeno, nasceram explicações mágicas e demoníacas. Veio a descobrir-se que, sendo a única planta viva de um deserto, ali se abrigavam muitos animais venonosos como cobras e escorpiões. Eram afinal animais e, não a Welwitschia, os responsáveis pelos desaparecimentos.

sábado, 7 de março de 2009

O efeito borboleta, a juventude e as drogas

Uma célebre função matemática denominada por Efeito Borboleta transforma valores iniciais com pequenas diferenças em resultados finais muito distantes (ver Wiki). A representação gráfica no referencial cartesiano lembra as asas de uma borboleta e dai o seu nome de baptismo.


De forma reforçar esta ideia do efeito, existe uma expressão popular que explica o fenónemo, exemplificando que "o movimento do ar produzido por o bater de asas de uma borboleta no Japão, pode provocar um tufão na Amazónia".

Este modelo aplica-se, no meu entender, à juventude e aos seus estados de maturação consequentes. Pequenas diferenças comportamentais entre dois individuos neste segmento etário, poderão produzir, no futuro, diferenças substâncias de diversa ordem ( Social, económica ou física).

Por esta razão, jovens e educadores deverão prestar muita atenção a pormenores que podem ser determinantes. Um deles é o consumo de drogas ditas leves. Cuja leveza, é apenas uma aparência inicial. Quem na geração X (hoje entre os 30 e os 45 anos) não teve um ou mais amigos que morreram para não falar dos inúmeros futuros destruídos ?

O consumo de drogas pode parecer uma diferença esbatível no futuro de quem as consome, mas, na maioria dos casos, não o é.

Referências: Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_borboleta
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