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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O musgo


Reparei hoje que, no canteiro da varanda da nossa casa, onde nada vinga ou floresce, um verde e rasteiro musgo alastrava rente à terra, dourando-a de uma luz-esmeralda e singela. Senti de súbito uma dupla esperança: A esperança do verde e a esperança de quem resiste. Era como se alguém gravasse, naquele punhado de terra, um recado para nós: “Mesmo no mais estéril e adverso lugar do mundo, onde vento estripa qualquer vontade e o sol inclemente incinera últimos esforços de um redentor milagre, uma minúscula planta anunciasse uma forte vontade de viver.

No dia-a-dia, quando tudo o que esperávamos de ventura e boas-novas, teima em não comparecer, devemos estar atentos aos cânticos que o Deus das pequenas coisas nos segreda.

Não eram frondosos e férteis arbustos que cresciam no canteiro da nossa varanda. Em vez deles, pequenos tufos de microscopias folhas. Mesmo assim eram tão belos e íntimos que me encheram de fé. Daquela fé ou generosa magia que fez renascer a Fénix das escassas cinzas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Shiva e a Destruição


A religião hindu é composta por uma miríade de Deuses. Existem contudo três divindades principais: Brama (O criador), Vixnu (O preservador) e Shiva (O destruidor).

O conceito do deus-destruidor não existe no âmbito da teologia cristã. Porém, quando pensamos num ciclo renovador a caminho do Nirvana, faz todo o sentido que alguém tenha o dever divino de destruir para que algo de novo possa nascer no seu lugar. Afinal, é muitas das vezes esta a lei da natureza animal ou vegetal.

Imbuído provavelmente neste espírito de aceitação da morte, escreveu assim um poeta italiano, Peter Barone, que se radicadou, desde os anos 60, nos Estados Unidos da América:

Destruição

Sufrágio da Destruição.
Razão da Renovação.
És o demónio mais antigo.
Dou-te o meu culto e o meu toque.
Personalizo-te.

Sozinho no teu espectro, sinto a trompa da vida
a ecoar sobre o oiro da minha existência.
A ti suplico-te que destruas e renoves,
que me mates, se já não fizer sentido.



Peter Barone

Newark - NJ - 1973
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